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PARA QUEM SE IMPORTA

15

nov

O país vive um drama sem precedentes na história surreal da nossa dita democracia. Nós deixamos de pagar os impostos à coroa portuguesa, mas continuamos pagando a maior carga tributária do mundo. Não temos mais uma única família dominando o país, mas há uma detestável classe de políticos que atuam perversamente em rede - como se fossem os DONOS do BRASIL, e do destino de seus cidadãos. Abolimos a escravatura para que todos fossem livres, e hoje ficamos todos presos em casa com medo da violência nas ruas. Nossa terra continua sujeita à um tipo de 'capitania hereditária', a exemplo do que herdam os filhos de poderosos que ocupam o planalto. As monumentais festas da antiga coroa continuam na "festa da usurpação do dinheiro público", na maquiagem dos números estatísticos, no desprezo à constituição brasileira. 

Em todos os sentidos, nossa terra ficou sujeita à uma forma dissimulada de dominação. Na teoria, nos tornamos uma república democrática, mas na realidade ainda obedecemos aos coronéis do poder. Os estados foram unificados, mas nasceu agora outro tipo de divisão: a insana ideia plantada pelo governo de que há um "nós contra eles". (Inclusive, até hoje não está claro quem é quem nesta equação!) Os boatos sobre as extravagâncias do império são agora as notícias - cada vez mais vergonhosas, sobre os abusos do poder e sobre a corrupção cancerosa que protege todo tipo de criminosos, fazendo de alguns até 'heróis da pátria'. Lamentavelmente, não faltam paralelos entre o Brasil-colônia e o país de hoje! Parece que, apesar de alguns avanços, de modo geral vivemos um risco permanente de andarmos na "contra-mão" da evolução. 

Ainda é necessário defender o direito legítimo que a nossa sociedade tem de se desenvolver democraticamente, com dignidade, honradez, justiça. Dizem que (principalmente na política) as coisas tem que piorar muito para que então possam ser transformadas... Ora, por que razão esperar ter que aprender pelo sofrimento se somos dotados de inteligência para evitá-lo a tempo? Talvez porque ainda não estejamos maduros o suficiente como nação. Ou talvez porque nos faltem valores mais edificantes na esfera pública, justamente por eles nos faltarem antes na esfera individual?? 

Faço parte de uma "geração da esperança", cheia de ideais humanos, que cresceu ouvindo que o Brasil seria o país do futuro. Com tristeza, vejo contemporâneos meus, gente que cresceu na nossa cidade (e em outros berços do país) que, cheia de 'ideais políticos' ingressaram na vida pública para "fazer a diferença" e hoje são parte comprovada da bandidagem. Fazem aquilo que outrora condenavam, ou fazem pior, de um jeito escancaradamente sutil que permeia toda a engenharia do poder público. E ainda: sentem-se orgulhosos de corromper, de render o país, se apresentando como "salvadores da pátria". Aprenderam a negociar pequenos benefícios, a fim de blindá-los às críticas e poderem ficar bem à vontade para disseminar mentiras, assassinar a moral e a ética, armar conflitos... - contando com uma população psicológica e emocionalmente "desarmada". Então, ao ouvir que o Brasil é o país do futuro, se a pergunta de muitos de nós era "quando este futuro chegará afinal"? Agora, um tanto exaustos e indignados com tudo o que há tempos vemos acontecendo no cenário brasileiro (e na América Latina), a pergunta passou a ser: de que te tipo de futuro estamos falando?? Qual é o futuro que nos será imposto??? Seremos condenados a ele, ou podemos fazer algo a respeito?

O desenvolvimento e a liberdade continuam sendo um direito, e ainda uma conquista necessária. Mas é preciso lembrar que ela começa na consciência de cada um que se reflete em nossa conduta diária - em nosso compromisso como povo: nos modelos que adotamos, permitimos, defendemos; na qualidade do que geramos; e no tipo de valores e de pensamentos que cultivamos dentro de nós! Então, diante deste video, não me cabe ser nem alarmista nem pessimista. Mas, tomara que daqui a um tempo a data de hoje não mude de nome - e que o dia de comemoração da República não acabe sendo transferido para o dia de finados.

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